Ashoka: o imperador que desistiu da guerra
Depois de uma das guerras mais sangrentas da Antiguidade, o imperador Ashoka mudou de caminho. Seus símbolos ainda estão na bandeira e no dinheiro da Índia.
Há mais de 2.200 anos, um dos reis mais poderosos do mundo venceu uma grande guerra e depois disse que se arrependia dela. Seu nome era Ashoka.
Um império poderoso
Ashoka governou o Império Máuria no século III a.C. Era neto de Chandragupta Maurya, fundador do império. Seu império cobria a maior parte do subcontinente indiano.
A guerra de Kalinga
Por volta de 261 a.C., Ashoka atacou Kalinga, um reino da costa leste, na atual Odisha. Ele venceu, mas o custo foi terrível. Segundo suas próprias palavras, gravadas mais tarde numa rocha, cerca de 100 mil pessoas foram mortas, 150 mil foram levadas e muitas outras morreram depois.
Uma mudança de coração
Ashoka escreveu que o sofrimento de Kalinga o encheu de profundo arrependimento. Ele se voltou para os ensinamentos do Buda e para o que chamava de dhamma: um modo de vida baseado na bondade, na honestidade, no respeito a todas as religiões e no cuidado com os animais.
Mensagens na pedra
Ashoka mandou gravar suas mensagens em rochas e altos pilares de pedra por todo o império. A maioria estava em prácrito, na escrita brahmi; no extremo noroeste, algumas estavam em grego e aramaico. Durante séculos ninguém conseguiu ler o brahmi. Em 1837, o estudioso James Prinsep o decifrou, e a voz de Ashoka voltou a ser ouvida.
Ashoka na Índia de hoje
O Capitel dos Leões do pilar de Ashoka em Sarnath é o Emblema Nacional da Índia, presente em suas moedas e cédulas. A roda de 24 raios da bandeira indiana é o Ashoka Chakra.
Por que isso importa
Muitos reis gravaram suas vitórias na pedra. Ashoka gravou seu arrependimento. Por isso, mais de dois mil anos depois, ele ainda é lembrado no mundo todo.